Saía do trabalho e eram mais ou menos oito da noite. Já era quase primavera e isso se sentia no ar ameno com cheiro de flor. Dava pra andar devagar sem fugir do frio. Escutou passos e virou-se discretamente, até onde conseguia ser discreta para ver quem era. Meu Deus, era ele. Nunca tinham se cruzado fora do trabalho. Era perfeito, a rua estava deserta, obrigatoriamente se falariam."Oi"..."Tudo bem"...comentários sobre o tempo, tao suave...sobre a cidade, ela tinha acabado de se mudar. Foi atrasando o passo...quase passeava para que ele pudesse alcancá-la. Eram só uns cinqüenta metros. Tentava achar a velocidade que nao fosse tao suspeita para a ocasiao. Quem passeia na rua desse jeito essa hora? Bom, a distancia era pouca. Logo o inevitável aconteceria. Ele veria nos seus olhos...olhos de veludo quando o viam alguém tinha dito a ela...
Talvez pudessem jantar juntos. O coracao acelerava. Vinte metros. Estava quase virando-se e denunciando todo o plano de atrasamento de passo...maldita ansiedade. Mas, nao. Controlou-se. Nao desceu do salto. Agora ele deve estar há uns cinco metros nada mais. "Será que ele vai querer alguma coisa com alguém oito anos mais nova"? Nao. Nao faz diferenca. Para ela nao fazia. Quero uma família ele diria. Eu também diria ela, meio sem saber o que estaria falando.
Riu da cena do filme "diário de Bridget Jones" onde ela imagina os sinos da igreja tocando enquanto mal conhece o namorado...definitivamente Hollywood nos corrompeu.Esperava por beijo de cinema, abraco de cinema, drama, lágrima e brilho.
Ele está há dois metros. Dá pra arriscar uma virada. Normal. Nada suspeito. Respira fundo. Um, dois, três...e vira-se para vê-lo entrar no bar sem tê-la cruzado...
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