sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

tentativa de ficcao com pitadas de realidade

Saía do trabalho e eram mais ou menos oito da noite. Já era quase primavera e isso se sentia no ar ameno com cheiro de flor. Dava pra andar devagar sem fugir do frio. Escutou passos e virou-se discretamente, até onde conseguia ser discreta para ver quem era. Meu Deus, era ele. Nunca tinham se cruzado fora do trabalho. Era perfeito, a rua estava deserta, obrigatoriamente se falariam."Oi"..."Tudo bem"...comentários sobre o tempo, tao suave...sobre a cidade, ela tinha acabado de se mudar. Foi atrasando o passo...quase passeava para que ele pudesse alcancá-la. Eram só uns cinqüenta metros. Tentava achar a velocidade que nao fosse tao suspeita para a ocasiao. Quem passeia na rua desse jeito essa hora? Bom, a distancia era pouca. Logo o inevitável aconteceria. Ele veria nos seus olhos...olhos de veludo quando o viam alguém tinha dito a ela...
Talvez pudessem jantar juntos. O coracao acelerava. Vinte metros. Estava quase virando-se e denunciando todo o plano de atrasamento de passo...maldita ansiedade. Mas, nao. Controlou-se. Nao desceu do salto. Agora ele deve estar há uns cinco metros nada mais. "Será que ele vai querer alguma coisa com alguém oito anos mais nova"? Nao. Nao faz diferenca. Para ela nao fazia. Quero uma família ele diria. Eu também diria ela, meio sem saber o que estaria falando.
Riu da cena do filme "diário de Bridget Jones" onde ela imagina os sinos da igreja tocando enquanto mal conhece o namorado...definitivamente Hollywood nos corrompeu.Esperava por beijo de cinema, abraco de cinema, drama, lágrima e brilho.
Ele está há dois metros. Dá pra arriscar uma virada. Normal. Nada suspeito. Respira fundo. Um, dois, três...e vira-se para vê-lo entrar no bar sem tê-la cruzado...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Mesmo depois de 15 anos de Alemanha, a comparacao de culturas é inevitável. Ainda admiramos os alemaes disciplinados que esperam o sinal de pedestre ficar verde, mesmo às 5h da manha. Ainda nos irritamos com as velhinhas alemas que se poem na frente da nossa bicicleta e gritam que a nossa luz está quebrada. Vizinhos que implicam porque você nao separou o lixo. Ou porque você nao limpou a sua janela. Os dois primeiros exemplos eu vivi. Os dois últimos, só li num fórum de brasileiros na Alemanha. Mas todo brasileiro já passou por alguma situacao inusitada por essas terras. As conversas sempre retornam às comparacoes e muitas vezes o patriotismo vence e acabamos chegando à conclusao que esse povo é mesmo bem estranho.

Um dia, uma amiga com muitos anos de Alemanha como eu, observou as crueldades dos contos infantis alemaes...em um, criancas peraltas viram comida de pato após passarem por uma espécie de moedor, em outra um menino que maltratava animais foi mordido por um cachorro "profundamente, sangue adentro" (segundo minha traducao livre) entre outras coisas que nao devem agradar nada nada as criancinhas a quem sao destinadas...

Fui bem rápida em concordar com minha amiga que esses alemaes eram realmente bizarros e cruéis...

Mas, fácil criticar o alheio e difícil é ver o próprio defeito...outro dia, conversando sobre o mesmo tema, outra amiga carioca me lembrou coisas que nao perdem em muito para as fábulas teutônicas...as cantigas de roda brasileiras!
Atiram o pau no gato, ele nao morre e ainda comentam o seu grito...mais politicamente incorreto nao existe...nao conheco ninguém que tenha tentado matar um gato por ter escutado a musiquinha, mas, que poderíamos ter passado sem ela, isso poderíamos...
E a pérola: " O anel que tu me destes era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou". Também nunca havia pensado com seriedade nessa frase, mas é de deprimir qulquer cristao!E no Tororó, quem nao entra na roda fica sozinha...Seria chantagem emocional pra crianca obedecer? Olha hein, se nao entrar na roda, ficará sozinha e já poderia até emendar que o bicho papao tá no telhado e aproveitando que o papai foi na roca e a mamae já-vem-já pode descer a qualquer momento...
O que será que se passava na cabeca dos pais dessa época?
Pelo sim pelo nao, vendo que as criancas nascem cada ano mais espertas, acho que nao vou cantar nada disso se um dia tiver um filho...vai que a crianca decide perguntar o porquê...

domingo, 27 de dezembro de 2009

Natal

Teve neve, teve sol e teve chuva,
chocolate, bala de chicletes
musica salmao e vinho
quente e frio
gata que vomitou
acampamento e torre de babel
brinde, risada e mancha na toalha
presente, danca
teve cara amarrada que desamarrou
teve lágrima de saudade
barulho de voz, piano e violao
sorvete que derreteu
peru na pia e pato na janela
cerveja na chuva e homem na cozinha
teve sujeira no tapete
louca na pia
teve vida...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"...já de saída a minha estrada entortou, mas vou até o fim!"

domingo, 13 de setembro de 2009

domingo, 23 de agosto de 2009

sábado, 4 de julho de 2009


Fotos inusitadas...no coments!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Faz mais ou menos dois meses que eu tento entender o fascínio que o Germany's Next op Model exerce sobre mim. Seria o gene brasileiro da novela, que estou convencida que existe em 90% da populacao sem distincao de raca, classe social ou sexo? Seria a vontade de um dia eu, com o meu metro e sessenta (tá, 1,59 e meio) sair andando com os cabelos balancando ao passo de pernas de um metro de comprimento, com maquiagem e visual impecavel? Nao sei, mas pensei ser a única a esperar chegar quinta-feira, oito e quinze, pra ver quem ia chorar, quem ia brigar com quem e quem seria obrigada a deixar o programa.
Hoje, vi no messenger, aliviada, a pergunta de Célia:
"che, decime vos seguis germany next top model???????????????
Por um segundo eu pensei se eu já lhe havia confessado minha fraqueza, mas, nao. Nao. Ela também já tinha sido contagiada. Nosotras, tan importantes y preciosas assistindo à coroacao do besteirol...vamos ligar para a Barbi, ver se ela ainda pode nos salvar...e se ela, mae do Antonio, também já estiver acompanhando GNTM...
entonces ya no hay más salvación!!!

domingo, 17 de maio de 2009

Tenho uma admiracao enorme pelas pessoas que dirigem. Eles pegam as chaves, sentam-se e dao partida no carro com uma naturalidade que me deixa cheia de inveja. Para mim, a dificuldade já comeca aí. Ver se a marcha nao está engatada pro carro nao dar aquela puladinha, abaixar o freio de mao, nao sem antes disso ter checado os retrovisores e o assento, já que eu nao tenho carro próprio. O carro parece um prolongamento das pessoas, de tao à vontade que a maioria se sente nele. Eu, com duas carteiras de motorista e aprovada sem nenhum erro na prova teórica alema, fujo da direcao como o diabo foge da cruz. E essa é uma grande lacuna na minha vida adulta, afinal, adulto DIRIGE.


Uma das minhas poucas aventuras num carro sozinha, foi quando a minha mae insistiu que eu fosse motorizada ao dentista. A distância era no máximo uns 4 quilômetros e eu cheguei tao suada como se tivesse percorrido essa distância correndo! A segunda e última aventura foi à noite. A tao assustadora noite, principalmente para filhas da Vanda e netas de Palmira, no Brasil ainda por cima. Tive que ouvir que " aqui nao era Europa, que era perigoso,etc,etc". Num arroubo de coragem,que nao me é característico, peguei o carro e fui. Na volta, por volta da meia -noite, com o coracao pulando e rezando para nao ter que parar em nenhum sinal, comecei a minha jornada. Eu estava tao afobada que nem o cinto de seguranca eu pus. Esquina, sinal, VERDE! Ai que bom, pisei no acelerador apressada. Mas como meu pai já tinha me dito...você está no Brasil!!! Veio um ônibus que estava "se lixando"(está na moda essa expressao gracas aos políticos) para o vermelho e...o inevitável aconteceu."moco, eu tava certa..." choraminguei. E ele, na sua simplicidade "tava fia"...quase tive pena.


Se a minha coragem e vontade de estar ao volante que já era pouca, me abandonou completamente depois desse episódio. Sento-me automaticamente e de bom grado no banco destinado aos caronas e me deixo levar.E coitado do que tenta me convocar para co-piloto.
O senso de orientacao nao pertence às minhas parcas faculdades mentais...O Antoine achou um meio de usá-lo mesmo assim: se eu digo que é pra direita, é para a esquerda!!

Gracas a Deus hoje em dia podemos descobrir o caminho para qualquer coisa. Basta clicar e a Internet nos oferece o itinerário. Tao claro. À primeira vista.
No carro sao outros quinhentos. (Alguém ainda usa essa expressao?)
Vire à direita. Mas essa direita bem direita ou a outra suavemente a direita? Nao é fácil.
Mas existe esperanca.Da última vez que tivemos que seguir um itinerario, eu nao me atrapalhei nenhuma vez. Minto. Uma vezinha só, já bem no fim. E pelo menos nao provocou alteracao no humor do meu motorista. Só nao sei se foi porque o meu erro foi bem pequeno ou se é porque ele já se acostumou...

domingo, 10 de maio de 2009

"O cérebro é como uma estrada. Em algumas pessoas, asfaltada. Em outras, feita de paralelepípedo."

Richard Haier, psicólogo americano da Universidade da Califórnia.

Eu continuaria que existem até os que sao uma estrada de terra em dias de chuva...

domingo, 12 de abril de 2009